Daniel Lopes
O líder do Partido Nova Democracia (PND) vai “pedir a saída do partido aos militantes nacionalistas que comprovadamente tenham posições racistas ou xenófobas”. Manuel Monteiro criticou ainda, durante a reunião magna do partido realizada em Guimarães, o actual modelo da União Europeia e os incidentes ocorridos na Assembleia Legislativa da Madeira.
O Conselho Geral do PND reprovou a moção que pedia a demissão da direcção e a convocação imediata de um congresso extraordinário.
Esta moção, subscrita pela líder distrital de Aveiro Susana Barbosa, tendo apoio da ala nacionalista, foi derrotada por 76% dos votos dos conselheiros presentes no Conselho Geral do partido que decorreu em Guimarães, no Centro Cultural Vila Flor.
Monteiro frisou que “as pessoas são todas de respeitar, sejam de que área política forem”, advertindo, porém, os militantes nacionalistas oriundos da extrema-direita, e filiados no PND, que o “Conselho de Jurisdição actuará.”

“Pediremos a saída do partido de todos os que têm textos, ou participam em blogues, ou sítios (“sites”) apelando ao racismo e à xenofobia”, sublinhou o líder do PND, garantindo que, caso não respondem a este apelo, “será accionado um procedimento disciplinar com vista à sua imediata expulsão.” Manuel Monteiro adiantou que vai continuar na liderança do partido, apesar de ter estatuto de líder demissionário até, pelo menos, ao congresso a realizar em meados de 2008.
A polémica sobre a expulsão dos militantes nacionalistas gerou a revolta de José Manuel Castro, militante do PND e líder do recém-criado Movimento Nacionalista e advogado do suposto skinhead Mário Machado. Monteiro enfrentou esta polémica referindo que o PND “é de direita e conservador, mas tem respeito pelo homem». «Por isso, não aceitarei que estejam aqui pessoas que possam, directa ou indirectamente, participar ou apelar a qualquer manifestação racista ou xenófoba”.
No entanto, o líder da Nova Democracia demonstrou-se crítico em relação ao actual modelo da União Europeia, ao discordar que o país “abra as portas de par em par aos emigrantes”, considerando uma medida negativa “para a nossa segurança e a nossa economia.”
Monteiro aproveitou ainda esta reunião magna para lançar duras críticas aos acontecimentos recentes na Assembleia Legislativa da Madeira, onde o deputado do PND e outros da oposição “são sistematicamente enxovalhados pelo presidente do grupo parlamentar do PSD”.
Na sequência dos incidentes que aconteceram na Madeira, Manuel Monteiro lança um repto ao Presidente da República: “Vamos escrever ao Presidente da República, dizendo-lhe que não pode lavar as mãos como Pilatos perante o que se passa no Parlamento da Madeira”.
Fonte: SOL