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Corrida Terry Fox pede aos Portugueses para deixarem a sua marca na Luta contra o Cancro

Abril 23, 2008

 

Marisa Alexandra Batista

 

 

Os participantes da mais antiga corrida de solidariedade de Portugal são este ano convidados a deixar num mural a sua marca – uma mensagem, um desenho, uma assinatura – que será convertida em financiamento para a luta contra o cancro.
    Com o mote “Não fique indiferente… Deixe a sua marca contra o cancro!”, a corrida Terry Fox decorre este ano a 17 de Maio e conta com a participação de figuras públicas como a cantora Mila Ferreira, a actriz São José Lapa, o apresentador de televisão José Figueiras, o animador de rádio Fernando Alvim, o atleta Nelson Évora, o futebolista Ruben Amorim e o músico Paulo Vintém.

 
    Actualmente na 13.ª edição, a corrida promovida pela Embaixada do Canadá, a farmacêutica Roche e a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) desafia os participantes a deixar, num mural disponível, o seu testemunho pessoal, que poderá ser um desenho, uma mensagem ou uma simples assinatura.

 

    Por cada marca deixada no mural, a Roche doará dois euros à LPCC e os fundos recolhidos serão aplicados no desenvolvimento de projectos de investigação nacional em oncologia.
    A corrida Terry Fox conta anualmente com a participação média de 3.000 pessoas, em Portugal.

 

    “Pelo simples facto de participarem nesta corrida e deixarem a sua marca, as pessoas estão a contribuir para a investigação na área do cancro e automaticamente na luta contra o cancro”, explicou à Lusa Manuela Rilvas, Presidente da LPCC (Núcleo Região Sul).

 
    Manuela Rilvas conta que ouviu falar da corrida pela primeira vez nos anos 1980, quando estava nos Estados Unidos, e que tentou fazer a corrida, não conseguindo alcançar a meta.

 
    Os fundos angariados com a corrida do ano passado possibilitaram a atribuição a três cientistas portugueses de Bolsas Terry Fox para a investigação em Oncologia.

 
    As bolsas, no valor de 15.000 euros cada, foram atribuídas no início do mês em Lisboa a Sandra Casimiro, do Instituto de Medicina Molecular (IMM) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, a Maria Leonor Sarmento, do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), e a Patrícia Silva, do Instituto Português de Oncologia (IPO).

 
    Os três projectos escolhidos, num universo de 13, têm de ser desenvolvidos no prazo de dois anos.

 

 

    “É uma honra fazer parte de uma causa tão importante. Terry Fox é um exemplo de luta pela preserverança e isso é algo que todos nós temos de ter para lutar pelos nossos sonhos”, declarou Nelson Évora, desportista, um dos padrinhos da causa.

 
    “Tenho contactado de perto com o cancro. Não são só aqueles que padecem de cancro que sofrem com isso, mas todos os que o rodeiam. Esta doença toca a todos. A união faz a força”, afirmou Mila Ferreira, cantora e apresentadora de televisão, também madrinha da causa.

 
    “Não hesitei quando recebi este convite. Vou frequentemente à secção de Pediatria do IPO, em Lisboa e no Porto, e saio de lá a ver a vida de forma diferente”, disse Paulo Vintém, actor e músico dos extintos D’zrt.

 
    O piloto de automobilismo Pedro Couceiro e o humorista Luís Filipe Borges, convidados pela organização, não poderão marcar presença na corrida por compromissos profissionais.

 

    Terry Fox, o patrono da Corrida, foi um jovem canadiano a quem, aos 18 anos, foi diagnosticado um cancro nos ossos na perna direita, o que provocou a sua amputação.

 
    Ao longo do internamento no Hospital conviveu com outros jovens com cancro e, impressionado com o seu sofrimento, decidiu atravessar o Canadá a pé, apesar da prótese na perna direita, com o objectivo de angariar fundos para apoiar a descoberta da cura para o cancro.

 
    Terry conseguiu percorrer a pé 5.000 quilómetros, durante 143 dias, tendo sido obrigado a interromper a meio a corrida devido à progressão do cancro que lhe atingiu os pulmões.

 
    A primeira Corrida Terry Fox em Portugal realizou-se em 1994 e até ao momento já foram angariados cerca de 437.000 euros, representado a atribuição de 35 bolsas em prol da investigação científica contra o cancro.

 
    A Corrida Terry Fox organiza-se actualmente em mais de 30 países.