André Rodrigues
A popularidade do primeiro-ministro e do grupo parlamentar do PS estão em queda acentuada. É este o resultado de duas sondagens – uma do Centro de Sondagens e Estudos de Opinião da Universidade Católica (CSEO/UCP) e outra da Marktest – que revelam uma descida nas intenções de voto no Partido Socialista. O novo líder do PSD Luís Filipe Menezes é que já começa a marcar pontos na luta com José Sócrates, se bem que é apenas num dos inquéritos que o PSD dispara nas preferências dos portugueses.
O politólogo Pedro Magalhães, responsável do CSEO/UCP afirma que “apesar das diferenças na metodologia e na amostragem, há resultados congruentes entre as duas sondagens que apontam para uma mudança expressiva no comportamento do eleitorado”. Esta mudança de atitude é justificada por Linda Veiga, professora da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, que encontra na presidência da UE e na existência de uma taxa de desemprego elevada razões para esta quebra de popularidade. Co-autora, em conjunto com Francisco José Veiga, de um estudo sobre a popularidade dos chefes de governo e das instituições políticas em função da situação económica do país, Linda Veiga afirma que “a elevada taxa de desemprego, associada à contracção da despesa pública e à redução da qualidade dos serviços, a coincidir com a presidência da UE” podem bem justificar esta quebra de popularidade do partido do Governo e do primeiro-ministro.
Segundo Pedro Magalhães, esta situação não é inédita: nos dois anteriores períodos da presidência portuguesa da UE, em 1992 e 2000, tanto Cavaco Silva como António Guterres viram a sua popularidade cair significativamente durante o período em que assumiram a liderança europeia.
Apesar das sondagens, o PS não quer entrar em alarmismos, como refere o seu porta-voz Vitalino Canas: “O PS continua na posição cimeira das intenções de voto e as sondagens são sempre muito sensíveis a factores conjunturais. Ao longo destes dois anos tem havido subidas e descidas, nem sempre por motivos que dependam do PS”, lembra aquele dirigente, frisando que “é preciso não esquecer as mudanças no PSD”.
Quanto ao PSD, Luís Filipe Menezes mostra-se satisfeito com as sondagens mas sublinha que “ainda não fez por merecer” esta popularidade. “É um bom sinal, sinal de que existe uma possibilidade de os portugueses poderem ter uma lógica de alternância democrática do poder, mas temos de fazer por merecer”, afirmou o líder do PSD.
Fontes: Público
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